Sacundim sacundem e borá congá

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Jah Ras Tafary

Confesso que já fui um garotão de Jah! Que menino nascido e criado na beira do mar tomando caldo e comento areia não gostaria de Reggae? Não só os meninos, as marias parafinas estão aí em peso. Chegam ao seus 13/14 anos e começam com o papo de Jah pra cá, Jah p/ lá, fica com Jah, vai com Jah.

Reggae é Bob Marley (sem dúvida é o melhor e outro fenômeno assim acho que terá nunca). Basta o homem soltar o “Jah Ras Tafari” no ínicio ou no meio de suas músicas para literalmente inflamar os seus ouvintes.

Versos esse quando tocado em shows de Reggae em geral são ovacionados, quase iguais os louvores do Show da Fé da TV.

Mas quem é Jah? Aí todo mundo me responde:

- Como quem é Jah? É o Jah Ras Tafari, Rei do Sião, Leão de Judá.

Ele tem nome?

- Claro que tem. É Hailé Selassié, o imperador etíope um ditador medieval, descendente do Rei Salomão e da Rainha da Sabá. É Deus encarnado!

Deus encarnado? Um ditador medieval? ¬¬

Já engoli muito essa história. Achava muito manero quando assistia os Dvds do Bob, falando da sua vida e aparecia a cena de 100 mil rastas recebendo Hailé Selassié no aeroporto em sua visita a Jamaica em 1966. Até então não sabia da onde vinha essa história de rasta. Só achava legal.

[...] Essa história rastafári meio que nasceu na batalha de Adwa, no norte da Etiópia, no dia 1º de março de 1896, quando quem reinava era Menelik II. A data entrou para o calendário como a primeira vez que uma nação africana derrotou uma potência européia, levando-a a reconhecer sua soberania.

A Itália chegou tarde na corrida européia por colônias africanas e viu que a Etiópia era uma boa. Então foram lá, com 17 mil homens e 56 canhões. Enquanto Menelik dispunha de 100 mil homens, quase todos com arma de fogo.

Os italianos sabiam que estavam em desvantagem mas também acreditavam que os africanos fugiriam diante de europeus e sua artilharia.

Final de jogo: O exército etíope de Menelik massacrou os italianos. Daí os reis etíopes ficaram com a fama de serem Jeová reencarnados. Daí os rastafari e Bob Marley.

Resumindo:

[...] Não haveria movimento Rastafári, Bob Marley e Reggae jamaicano tais como os conhecemos hoje se não fosse pelo imperador etíope Menelik II, que derrotou os invasores italianos na Batalha de Adwa e deu a seu país o status de única nação africana independente.

Aí beteu a dúvida por que Hailé Selassié seria Deus encarnado, que milagre teria feito ele. Fiquei sabendo que tornou-se imperador porque se casou com a filha de Menelik II.


* André Caramuru Aubert, 45, é um historiador que trabalha com tecnologia e continua ouvindo Bob Marley mesmo sabendo que ele adorava um ditador medieval.




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